Conduzindo a vida com consciência e determinação.
Você já parou para pensar, o quanto daquilo que precisa para seguir adiante, já está dentro de você? Nem sempre percebemos, mas carregamos uma reserva de conhecimentos, experiências, habilidades e forças que podem fazer a diferença na maneira como enfrentamos a vida. Algumas dessas capacidades são conhecidas. Outras só aparecem quando uma situação nos convida, a agir de um jeito diferente.
Usar o potencial disponível, é aprender a reconhecer esses recursos, e colocá-los em movimento. Não significa viver no limite, fazer tudo ao mesmo tempo, ou provar que conseguimos vencer qualquer dificuldade sozinhos. Significa dar o melhor de nós naquilo que estamos executando, considerando nossas condições reais, sem perder de vista o que buscamos.
Nossa trajetória se parece, em muitos momentos, com uma estrada. Há trechos tranquilos, subidas exigentes, descidas que pedem cuidado, e curvas que não permitem enxergar o que vem depois. Para avançar, não basta ter disposição: precisamos conhecer nosso reservatório, observar o caminho e saber quando acelerar, reduzir a velocidade ou parar.
1. Nosso potencial armazenado.
Há muita coisa guardada em nós, que nem sempre recebe a devida atenção. Uma habilidade desenvolvida no trabalho, a paciência aprendida em um período difícil, o conhecimento adquirido nos estudos, e até a capacidade de saber ouvir, podem se tornar recursos importantes, diante de um novo desafio.
Esse é o nosso potencial armazenado: aquilo que construímos ao longo do tempo, e que podemos utilizar quando necessário. Entretanto, possuir uma capacidade, não é o mesmo que utilizá-la. Às vezes, sabemos o que fazer, mas adiamos o primeiro passo. Em outras situações, duvidamos tanto de nós mesmos, que deixamos nossos melhores recursos parados.
Dar o melhor de si, começa com uma pergunta simples: “O que tenho à disposição, para fazer bem o que está diante de mim?”. A resposta pode envolver conhecimento, criatividade, organização ou disposição para aprender. Também pode incluir reconhecer que precisamos de ajuda.
Nosso melhor não será igual todos os dias. Há momentos de maior energia, e outros de cansaço. Usar bem o próprio potencial, é respeitar essa variação, sem transformar uma limitação momentânea, em uma definição permanente sobre quem somos.
2. Quando preciso ir mais longe em menos tempo.
Existem períodos em que a vida exige agilidade. Um prazo se aproxima, uma oportunidade aparece, ou uma responsabilidade precisa ser atendida rapidamente. Nesses momentos, é natural querer acelerar. Mas velocidade sem direção, pode apenas nos levar mais depressa, para longe do objetivo.
Quando precisamos ir mais longe em menos tempo, o primeiro passo é identificar o que realmente importa. Nem toda tarefa tem a mesma urgência, assim como nem toda distração, merece nossa atenção. Concentrar esforços no essencial, costuma produzir mais resultado, do que tentar resolver tudo de uma vez.
É aqui que o foco se torna decisivo. Não nos deixar distrair daquilo que buscamos, exige escolhas: reduzir interrupções, organizar prioridades e evitar compromissos que consomem energia, sem contribuir para a direção escolhida.
Ainda assim, acelerar precisa ser uma decisão consciente. Assim como numa estrada, só devemos desenvolver velocidade, quando há condições para isso. É necessário observar nossa preparação, os recursos disponíveis e os riscos envolvidos. Ganhar tempo não pode significar abandonar o cuidado.
3. A grande batalha entre o fazer e o esperar.
Uma das decisões mais difíceis da caminhada, é descobrir quando agir, e quando aguardar. Fazer antes da hora, pode gerar desgaste desnecessário. Esperar demais, pode permitir que uma oportunidade passe.
Essa batalha não se resolve, escolhendo sempre a ação, ou sempre a espera. Ela exige discernimento. Há situações em que precisamos reunir informações, amadurecer uma ideia, ou respeitar o tempo de algo que não depende apenas de nós. Nesses casos, esperar não é desistir: é preparar melhor o próximo movimento.
Por outro lado, existe a espera que apenas disfarça o medo. Ficamos aguardando a certeza absoluta, a disposição perfeita ou a garantia de que tudo dará certo. Como essas condições raramente aparecem, acabamos permanecendo parados no mesmo lugar.
Talvez a pergunta mais útil seja: “Estou esperando porque isso é necessário, ou porque tenho receio de começar?”. Uma resposta honesta ajuda a perceber a diferença. Muitas vezes, não precisamos dar um grande salto. Um passo pequeno, bem escolhido, já permite aprender, corrigir a direção e ganhar confiança.
4. Estar em caminhada constante ou parar para relaxar.
Manter a constância é importante, mas constância não significa movimento sem descanso. Ninguém percorre uma longa distância, ignorando o próprio reservatório. Quando insistimos em seguir sem recuperar as energias, nossa atenção diminui, as decisões perdem qualidade, e até tarefas simples se tornam mais difíceis.
Parar para relaxar, pode ser parte do avanço. O descanso permite reorganizar pensamentos, aliviar tensões e recuperar a disposição. Às vezes, depois de uma pausa, percebemos uma solução que o cansaço não nos deixava enxergar.
O cuidado está em distinguir recuperação de abandono. Uma pausa consciente tem sentido: ela atende a uma necessidade, e favorece a retomada. Já o adiamento constante, sem reflexão, pode nos afastar silenciosamente, daquilo que desejamos construir.
Por isso, vale observar o próprio ritmo. Há trechos em que podemos avançar com mais intensidade, e outros em que precisamos ir devagar. Conduzir a vida com consciência, é ajustar o esforço às condições do momento, sem culpa por descansar, e sem perder o compromisso de continuar.
5. Quando as dificuldades surgem.
Algumas dificuldades se apresentam como morros íngremes. Ao olhar de baixo, podemos imaginar que não conseguiremos chegar ao alto. Porém, quando examinamos o percurso, escolhemos uma estratégia, e avançamos por etapas, o desafio começa a ganhar outra dimensão.
A calma nos ajuda a compreender o problema. A técnica permite escolher uma maneira mais adequada de enfrentá-lo. A destreza, desenvolvida pela experiência, contribui para ajustar nossos movimentos, quando o caminho exige mudanças.
Isso não significa que todo obstáculo será simples, ou que bastará pensar positivamente para superá-lo. Há dificuldades que pedem tempo, apoio, novos conhecimentos, e até a revisão da rota. Encará-las como parte do percurso, porém, evita que sejam confundidas com o fim da caminhada.
Também precisamos ter cuidado com as descidas. Nem sempre o risco está no esforço de subir; às vezes, ele aparece quando tudo parece fácil e somos levados pelo embalo. Uma fase favorável pode estimular decisões precipitadas, compromissos excessivos e confiança sem avaliação.
Nesses momentos, manter o controle e o pé no freio, é sinal de maturidade. Saber conter o impulso, é tão importante quanto encontrar forças para avançar.
6. Estar sempre preparado para os imprevistos.
Por mais cuidadoso que seja o planejamento, a vida não segue um roteiro completamente previsível. As condições mudam, surgem novas demandas, e certos acontecimentos alteram o caminho que imaginávamos percorrer.
Estar preparado para os imprevistos, não significa conseguir prever tudo. Significa construir alguma margem de segurança, e desenvolver flexibilidade para responder ao inesperado. Isso pode envolver cuidar da saúde, organizar recursos, atualizar conhecimentos, manter vínculos de confiança e considerar alternativas.
É como conduzir uma viagem, observando não apenas o destino, mas também o tempo, a estrada e as condições do veículo. Se a visibilidade diminui, reduzimos a velocidade. Se o reservatório está baixo, buscamos reabastecer. Se o caminho fica interrompido, avaliamos uma nova rota.
Diante de uma adversidade, a calma e a cautela ajudam a evitar que a primeira reação, agrave o problema. Antes de decidir, vale compreender o que aconteceu, identificar o que está ao nosso alcance, e escolher a próxima atitude possível.
Tomar as rédeas da própria existência, não é controlar todos os acontecimentos. É assumir responsabilidade pela maneira como nos posicionamos diante deles, inclusive quando a melhor escolha, é pedir ajuda ou mudar de direção.
Conclusão: Avançar também é aprender a se avaliar.
Usar o potencial disponível é unir disposição, consciência e responsabilidade. Não se trata apenas de fazer mais, mas de empregar melhor aquilo que temos, preservando as condições necessárias para continuar. O avanço consistente depende tanto da coragem de agir, quanto da maturidade de esperar, descansar e rever escolhas.
Nesse processo, a observação, a análise e a avaliação de nós mesmos, são fundamentais. Precisamos reconhecer nossas capacidades, perceber nossos limites, e examinar se nossas expectativas, correspondem à realidade. Também é importante avaliar os resultados obtidos: o que funcionou, o que precisa mudar, e qual foi o custo físico, emocional e prático de cada conquista.
Nem sempre um resultado abaixo do esperado, significa falta de potencial. Ele pode revelar uma estratégia inadequada, um prazo pouco realista, ou a necessidade de desenvolver uma nova habilidade. Da mesma forma, um bom resultado, merece ser compreendido, para que saibamos quais atitudes contribuíram para alcançá-lo.
Assim, conduzir a própria vida, é manter um diálogo constante entre, o que desejamos, o que podemos fazer agora, e o que precisamos aprender. É seguir com atenção suficiente, para perceber o caminho, e com determinação suficiente, para não abandonar a direção, por qualquer distração. Afinal, aproveitar nosso potencial, é transformar os recursos disponíveis, em escolhas conscientes, ações bem orientadas, e uma trajetória que faça sentido para nós.
Autor: Raimundo J. Lopes - Mentor do Método Reconexão Voluntária Com o Desejo.