Depois de muitos dias sem postar nada, resolvi pisar no calo. E não me culpe pelas verdades que digo. Se não me entender me desculpe, e siga, está tudo bem, continuarei sentindo o mesmo que sentia por você antes!
Entre o Que Tenho e o Que Ainda Quero Construir.
Se eu quisesse só o básico, já teria parado. Hoje, tenho o que preciso para viver. Reconheço o valor disso e sou grato pelo que conquistei. Mas existe uma diferença entre ter o suficiente para sobreviver e sentir que estou vivendo tudo aquilo que posso construir.
Quando digo que o básico é menos do que preciso, não estou falando apenas de dinheiro, conforto ou bens materiais. Estou falando de realização, liberdade, conhecimento e possibilidades. De olhar para a minha vida e perceber que ainda existem caminhos que quero percorrer, capacidades que posso desenvolver e experiências que fazem sentido para mim.
Não é necessariamente ganância ou querer mais. Posso valorizar o que tenho sem transformar minha gratidão, em obrigação de permanecer onde estou. Sei que o mundo oferece muitas possibilidades, embora elas não cheguem a todos da mesma maneira. Querer não garante conquistar, mas não querer agir, torna qualquer conquista ainda mais distante.
Também sei que algumas pessoas encontram satisfação no básico. E não há nada de errado nisso. O problema não é viver com pouco ou com muito. O problema começa quando aquilo que construímos, já não corresponde ao que buscamos, mas continuamos vivendo como se nada precisasse mudar.
É sobre essa distância entre desejar e fazer, que eu quero conversar.
1. O que eu verdadeiramente estou buscando.
Antes de dizer que quero mais, preciso entender o que esse “mais” significa para mim.
Quero mais dinheiro para ter segurança, ou para provar alguma coisa a alguém? Quero reconhecimento pelo valor do meu trabalho, ou preciso constantemente da aprovação dos outros? Quero liberdade para escolher como viver, ou apenas uma vida que pareça interessante aos olhos de quem está de fora?
Essas perguntas importam porque, posso passar anos perseguindo uma conquista, que nunca foi realmente minha. Posso me esforçar para alcançar uma expectativa alheia e, quando chegar lá, descobrir que continuo insatisfeito.
O que verdadeiramente busco precisa estar ligado aos meus valores. Quero crescer de uma maneira que faça sentido, para a pessoa que sou e para aquela que pretendo me tornar.
Para mim, não basta acumular. Quero perceber que estou desenvolvendo minhas capacidades, assumindo minhas escolhas e ampliando minhas possibilidades. Se ainda tenho vontade de aprender, criar e realizar, não preciso fingir que já terminei minha caminhada.
Posso estar satisfeito com partes da minha vida e, ainda assim, querer transformá-la. Uma coisa não anula a outra.
2. Dizer que estou buscando sem ação não prova nada.
É fácil dizer que quero mudar. Difícil é fazer escolhas que confirmem essa vontade, quando ninguém está olhando.
Posso falar sobre meus sonhos com entusiasmo, organizar planos e imaginar todos os detalhes do futuro. Mas, se nada disso interfere no que faço hoje, continuo apenas descrevendo uma intenção.
Buscar exige movimento. Às vezes, esse movimento será pequeno: estudar um pouco todos os dias, organizar as finanças, pedir uma orientação, corrigir um erro ou terminar uma tarefa que venho adiando. Não precisa ser algo impressionante. Precisa ser algo real.
Também não posso confundir esforço, com direito automático ao resultado. Meu empenho importa, mas não controla todas as circunstâncias. Ainda assim, é sobre a minha parte que posso agir.
Quando falo em merecimento, penso nessa responsabilidade. Não basta acreditar que sou digno de grandes conquistas, se não estou disposto a desenvolver as condições necessárias para sustentá-las. Meu valor como pessoa não depende do meu desempenho, mas meus objetivos exigem mais do que uma boa opinião sobre mim mesmo.
Se digo que quero aprender, preciso abrir espaço para o aprendizado. Se digo que quero melhorar, preciso aceitar mudanças. Minhas atitudes precisam conversar com aquilo que afirmo querer.
3. Até quero a evolução, mas não quero pagar o preço.
Existe uma contradição que nem sempre gosto de admitir: às vezes, quero muito o resultado e quase nada do processo.
Quero o conhecimento, mas não a dedicação ao estudo. Quero a estabilidade, mas não a organização financeira. Quero relações melhores, mas não as conversas difíceis. Quero crescer profissionalmente, mas resisto a ouvir que ainda preciso melhorar.
Nesse ponto, preciso ser honesto comigo. Estou disposto a evoluir, ou apenas gosto da ideia de já ter evoluído?
Toda conquista exige alguma forma de investimento. Pode ser tempo, dinheiro, disciplina, paciência ou a disposição de abandonar hábitos que já não ajudam. Muitas vezes, o preço mais difícil é reconhecer que não sei tanto quanto imaginava.
Isso não significa que eu deva aceitar qualquer sacrifício. Destruir minha saúde, abandonar meus valores, ou prejudicar outras pessoas, não transforma uma conquista em algo maior. Existem preços que não fazem sentido pagar.
Mas também não posso usar o desconforto inevitável de aprender, como justificativa para não começar. Se quero uma realidade diferente, preciso aceitar que algumas escolhas, não poderão continuar iguais.
4. Sei do preço que custa, o que busco, e estou disposto a pagar.
Quando entendo o que quero e reconheço o esforço necessário, meu compromisso deixa de depender apenas da empolgação.
Começo a organizar a vida para sustentar o objetivo. Reservo tempo, estabeleço prioridades, procuro recursos e avalio o que preciso aprender. Em vez de esperar disposição todos os dias, construo uma rotina que me ajude inclusive nos dias difíceis.
Estar disposto a pagar o preço também significa aceitar que, o caminho pode ser mais longo do que imaginei. Posso errar, precisar rever uma estratégia, ou descobrir uma limitação que não havia considerado.
Nessas horas, insistir não é repetir cegamente o que não funciona. É preservar o compromisso com o objetivo, enquanto tenho humildade para ajustar a maneira de alcançá-lo.
Quero mais, mas não espero receber tudo pronto. Quero participar da construção daquilo que desejo ter. E, se ainda não consigo assumir todo o investimento necessário, posso começar pelo que está ao meu alcance.
Minha disposição aparece nisso: menos na promessa de que farei qualquer coisa, e mais na constância com que faço, o que realmente precisa ser feito.
5. Quando busco ajuda, mas não busco melhoria.
Pedir ajuda pode ser uma atitude de coragem. Ninguém precisa saber tudo ou resolver a vida sozinho. O problema surge quando peço apoio, mas espero que outra pessoa assuma uma responsabilidade, que continua sendo minha.
Alguém pode me ensinar, orientar, oferecer uma oportunidade e caminhar ao meu lado. Mas não pode aprender por mim, decidir por mim, ou sustentar indefinidamente um compromisso que eu mesmo não assumo.
O mesmo vale quando sou eu quem oferece ajuda. Posso querer muito que uma pessoa cresça, mas minha vontade não substitui a disposição dela. Antes de cobrar, preciso entender suas dificuldades: nem toda falta de avanço é falta de interesse. Às vezes, faltam recursos, clareza ou condições para dar o próximo passo.
Ainda assim, ajudar exige alguma participação de quem recebe o apoio, dentro das suas possibilidades. Se a pessoa espera que eu faça tudo, enquanto ela se recusa a fazer o que pode, preciso estabelecer um limite.
“Quer que eu te ajude? Faça a sua parte” não precisa ser uma frase de desprezo. Pode ser uma expressão honesta de parceria: eu assumo aquilo que posso oferecer, e você assume aquilo que lhe cabe.
Não seria justo transformar a minha ajuda, em obrigação de viver a vida do outro. Por mais que alguém acredite ter esse direito, sua expectativa não se torna verdade, apenas por ser repetida. Posso me importar, oferecer apoio e, ao mesmo tempo, recusar uma responsabilidade que não é minha.
6. Até quando vou conseguir esperar? Sei que quero e preciso.
Existe um tempo necessário para preparar uma mudança. Mas existe também um adiamento, que se apresenta como preparação para não precisar admitir que é medo.
“Quando as coisas melhorarem, eu começo.”
“Quando eu tiver mais tempo, eu tento.”
“Quando estiver totalmente pronto, eu decido.”
Posso repetir essas frases durante anos. Enquanto isso, a insatisfação continua presente, lembrando que existe algo que quero fazer, e que ainda não estou fazendo.
Até quando vou esperar por uma condição perfeita, que talvez nunca exista?
Não preciso responder a essa pergunta com pressa ou imprudência. Ter urgência para mudar, não significa abandonar tudo de uma vez. Posso planejar uma transição, preservar minhas responsabilidades, e começar de maneira gradual.
Mas preciso diferenciar um plano, de uma desculpa. Um plano tem etapas, decisões, e algum movimento concreto. Uma desculpa apenas muda a data do começo.
Se sei que quero e preciso, qual é a atitude possível agora? Talvez seja procurar informação, iniciar um curso, rever meus gastos, ou ter uma conversa que venho evitando. O primeiro passo pode não resolver tudo, mas já muda minha posição diante do problema.
Esperar faz sentido quando estou preparando o caminho. Quando apenas adio minha participação, a espera começa a trabalhar contra aquilo que desejo.
Conclusão — Não quero apenas desejar uma vida maior.
Se eu quisesse só o básico, já teria parado. Essa afirmação não diminui o valor do que tenho, nem a escolha de quem deseja uma vida diferente da minha. Ela apenas reconhece que, para mim, ainda existem objetivos importantes a realizar.
Querer mais, porém, exige honestidade. Preciso saber o que busco, transformar intenção em atitude, e compreender os custos envolvidos. Também preciso reconhecer que esforço não é garantia de sucesso, mas continua sendo uma parte da caminhada, que não posso simplesmente entregar a outra pessoa.
Posso receber ajuda e oferecê-la. Posso aprender, rever planos e respeitar meus limites. O que não posso é, exigir os resultados de uma mudança, da qual me recuso a participar.
Por isso, minha decisão de continuar não nasce da ingratidão, mas do compromisso com aquilo que ainda desejo construir. Valorizo o que já conquistei, sem tratar minhas conquistas como um ponto final.
Se eu quisesse só o básico, já teria parado. Como quero ir além, preciso fazer a minha parte — não apenas quando falo sobre o futuro, mas nas escolhas que faço hoje.
Autor: Raimundo J. Lopes - Mentor do Curso Reconexão Voluntária Com o Desejo.