Crescer, produzir e fortalecer quem trabalha.
Falar sobre o caminho da economia brasileira é falar sobre escolhas. Um país não cresce por acaso. Ele cresce quando consegue transformar o trabalho em renda, a produção em riqueza, as empresas em oportunidades e a organização política em segurança para quem investe, empreende e trabalha.
A economia brasileira precisa de crescimento financeiro, tanto quanto também precisa de crescimento das pessoas. Não basta o Produto Interno Bruto aumentar, se a população continuar sem acesso a bons empregos e renda, educação profissional, crédito, moradia, saúde e oportunidades reais. O crescimento de uma nação deve aparecer na vida cotidiana: no salário que compra mais, na empresa que consegue contratar, no trabalhador que se qualifica e realmente deseja trabalhar, no jovem que encontra perspectiva de crescimento, e no empreendedor que sente segurança para investir e permanecer no país.
Quando uma empresa brasileira fecha as portas, principalmente uma empresa de capital 100% nacional, não se perde apenas um CNPJ. Perdem-se empregos, arrecadação de impostos, fornecedores, circulação de renda e parte da capacidade produtiva interna do país. Ao mesmo tempo, em que empresas estrangeiras dominam setores importantes do mercado, como ocorre com grandes plataformas de comércio e tecnologia, é preciso observar para onde vão os lucros, como esses recursos são reinvestidos e qual é o impacto disso na economia nacional.
Portanto, discutir o caminho da economia brasileira é discutir produtividade, trabalho, incentivo às empresas, política, Máquina administrativa, Autonomia, consumo, soberania econômica e futuro.
1. O que é, e como se calcula o Produto Interno Bruto, o PIB de um país?
O Produto Interno Bruto , conhecido como PIB , é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos dentro de um país em determinado período, geralmente em um ano ou trimestre. Ele serve como um dos principais indicadores, para medir o tamanho, e o desempenho de uma economia.
De forma simplificada, o PIB pode ser calculado pela seguinte fórmula:
PIB = Consumo das famílias + Investimentos das empresas + Gastos do governo + Exportações – Importações
Ou seja:
Quando as famílias consomem mais, o PIB tende a crescer.
Quando as empresas investem em máquinas, tecnologia, expansão e contratação, o PIB cresce.
Quando o governo realiza obras, realiza compra de produtos e prestação serviços, também movimenta a economia positivamente.
Quando o país exporta mais do que importa, entra dinheiro de fora e a economia se fortalece.
Quando o país importa, parte da renda nacional vai para outros países. Assim quando o país importa (compra produtos e serviços de outras nacionalidades) mais do que exporta (vende produtos e serviços para outras nacionalidades), o PIB tende a diminuir.
O PIB, porém, não mostra tudo. Um país pode ter PIB alto e ainda assim ter desigualdade, desemprego e pobreza. Por isso, o crescimento do PIB, precisa ser acompanhado de melhoria na renda das pessoas, na produtividade, na qualificação profissional e no fortalecimento das empresas nacionais.
2. Empresa de capital nacional x empresa de capital estrangeiro.
Uma empresa de capital nacional é aquela cujo controle pertence a brasileiros, ou a grupos econômicos brasileiros. Isso significa que a tomada de decisão, os lucros e os investimentos e reinvestimentos dos lucros, tendem a ter maior ligação com o território nacional, ou seja na maioria dos casos, o dinheiro fica no Brasil.
Já uma empresa de capital estrangeiro é controlada por pessoas, fundos, grupos ou companhias de fora do país. Essas empresas podem trazer benefícios, como tecnologia, empregos, concorrência, modernização e novos modelos de negócio. Porém, também podem gerar um desafio: parte dos lucros, ou todo o lucro, pode ser enviada para o exterior (para fora do país), por meio de remessas de dividendos, pagamentos a ações, royalties, serviços, tecnologia ou outras estruturas financeiras. Assim usam as divisas e os recursos brasileiros, para a produção e obtenção dos lucros, porém os reinvestimentos dos lucros, podem ter destinações fora dos limites da nacionalidade brasileira.
Exemplos atuais são o Mercado Livre , empresa de origem argentina, e a Amazon , empresa de origem norte-americana, estadunidense. Ambos cresceram muito no Brasil nos últimos tempos, principalmente pela facilidade de compra, pela logística eficiente, pelos preços competitivos e pela praticidade oferecida ao consumidor.
O problema não é simplesmente comprar de uma empresa estrangeira. O verdadeiro problema aparece, quando o mercado nacional perde forças, e se torna dependente dessas grandes empresas, enquanto as companhias brasileiras fecham as portas ou não conseguem competir. Se os lucros obtidos aqui são majoritariamente enviados para fora ou investidos fora dos limites nacionais, parte da riqueza gerada pelo consumidor brasileiro, deixa de circular no Brasil, diminuindo as riquezas nacionais. No longo prazo, quem pode perder é o próprio comprador, pois a economia local enfraquece, os empregos nacionais desaparecem e a renda e riqueza interna diminui.
3. Quando a nação tem uma crença de baixa produtividade.
Um dos maiores perigos para qualquer país, é a construção de uma mentalidade de baixa produtividade. Quando se espalha a ideia de que trabalhar, produzir, estudar, empreender e crescer “não vale a pena”, a economia e a riqueza do país, começa a perder força por dentro.
É importante deixar claro: defender produtividade não é defender escravização, exploração ou retirada de direitos. Pelo contrário. Uma nação forte precisa de trabalhadores respeitados, bem remunerados, protegidos e valorizados. Mas também precisa de compromisso com a produção, com a eficiência, com a qualificação e com o crescimento individual e coletivo.
A produtividade aumenta quando:
Existem pessoas consciêntes da importância do seu trabalho;
O trabalhador tem acesso à educação de qualidade;
Existam cursos técnicos e profissionalizantes formando profissionais;
As empresas investem em produção e em tecnologia;
A burocracia do sistema administrativo diminui;
Há segurança para produzir e investir aqui;
O sistema tributário é mais leve e simples;
O ambiente político é estável e com objetivos claros;
Existe incentivo para produção e para o empreendedorismo.
Quando falta parte, ou tudo disso, a economia se torna pesada. O empresário se desmotiva, o trabalhador perde perspectiva e o país passa a conviver com a informalidade, com o desemprego e com a queda na renda. E assim concumina na diminuição dos recursos (dinheiro), que mantém a máquina pública funcionando, onde muitas vezes a alternativa é, aumentar impostos, para que essa máquina pública continue rodando, e isso gera consequências drasticas para a população, como o aumento nos preços. É bom lembrar que os impostos também, são base para o custo de produção dos bens e serviços, portanto aumento nos impostos, está diretamente ligado, a aumento nos preços destes produtos e serviços.
4. Como funciona o trabalho e o capital das empresas estatais?
As empresas estatais são aquelas controladas pelo Estado. Eles podem atuar em áreas estratégicas, como energia, petróleo, bancos públicos, saneamento, infraestrutura e transporte. Em muitos casos, têm papel importante para garantir serviços essenciais, realizar investimentos de longo prazo e atuar onde o setor privado não tem interesse, ou condições de imediato.
A capital dessas estatais pode vir de diferentes fontes:
Investimentos e reinvestimentos do governo, quando estas estatais dão superavit ou lucro;
As Receitas com as vendas de produtos e serviços;
A emissão de ações, quando são empresas de capital aberto, ou seja estado e acionistas investem no capital desta.
Financiamentos e investimentos governamentais.
O trabalho nas estatais também movimenta a economia, pois gera empregos, contrata fornecedores e produz serviços essenciais. Porém, para funcionarem bem, essas empresas precisam de gestão eficiente, transparência, controle de gastos e compromisso com resultados, ou seja precisam ter superavit, lucros.
Quando uma estatal é usada apenas como instrumento político, sem responsabilidade administrativa, ela pode gerar déficits, prejuízos. E quando dá prejuízo, quem paga a conta é a sociedade, por meio de impostos, tarifas ou o endividamento público, onde o governo busca empréstimos (vamos assim dizer de uma forma simples e clara).
Por outro lado, quando bem administradas, as estatais podem contribuir para o desenvolvimento nacional, apoiar setores estratégicos e fortalecer a soberania econômica do país.
5. Quem alimenta a máquina administrativa e política?
A máquina administrativa e política de um país é sustentada principalmente pela arrecadação de impostos, taxas e contribuições. Quem paga essa conta é a sociedade como um todo:
O trabalhador, quando recebe o salário e consome;
O empresário, quando produz, vende e contrata;
O consumidor, quando compra qualquer produto ou serviço;
O investidor, quando aplica recursos;
O produtor rural, a indústria, o comércio e os prestadores de serviços.
Praticamente toda venda de bens ou serviços que circula na economia, gera algum tipo de arrecadação. Por isso, quando as empresas fecham, o governo arrecada menos. Quando o desemprego aumenta, o consumo cai. Quando o consumo cai, o comércio vende menos. Quando o comércio vende menos, a produção diminui. E assim se cria um ciclo vicioso negativo.
A classe trabalhadora é uma das mais prejudicadas nesse processo, pois depende diretamente da atividade econômica, para ter seus rendimentos e manter a sua sobrevência e dos seus. Se não há empresas produtoras, não há empregos suficientes. Se não há empregos, não há renda. Se não há renda, não há consumo. E se não há consumo, a economia está encolhendo. Uma coisa puxa a outra e assim vai nesse ciclo.
Por isso, a desorganização política e legislativa também pesa muito. Regras confusas, excesso de burocracia, insegurança jurídica e instabilidade, afastam investimentos e desmotivam quem deseja produzir no Brasil.
6. A diferença entre instalar crescimento ou instalar o caos.
Instalar crescimento significa criar condições, para que pessoas e empresas prosperem. Isso envolve educação, infraestrutura, segurança, crédito, estabilidade, incentivo à produção, valorização do trabalho e respeito ao empreendedorismo e da produção.
Instalar o caos é o contrário. É criar um ambiente, em que ninguém sabe quais serão as regras do próximo período, impostos que mudam constantemente, a burocracia que impede o avanço, a política que gera insegurança, e o trabalhador que perde a esperança de melhorar de vida.
Quando há esses três fatores juntos — desmotivação pessoal para o trabalho, desmotivação empresarial para operar no país, e desorganização política — o resultado é perigoso, pois o caos pode estar próximo. O maior prejudicado nessa questão, é o trabalhador comum, aquele que depende do salário, do emprego, da atividade diária e da estabilidade econômica, para seu sustento e de sua família.
Um país que não investe em produção, não investe em mão de obra qualificada e comprometida, e não incentiva o crescimento empresarial, corre o risco de regredir, para níveis profundos de pobreza. Sem produção, não há riqueza. Sem empresas, não há empregos. Sem empregos, não há consumo. Sem consumo, o PIB cai. E com o PIB em queda, a sociedade inteira sente os efeitos do custo de vida alto.
Conclusão: O Brasil precisa produzir, qualificar e proteger sua economia.
O caminho da economia brasileira passa por uma decisão central: o país quer ser apenas consumidor, ou quer ser produtor de riqueza? Consumir é importante, mas produzir é indispensável. Uma nação forte não pode depender apenas de produtos, plataformas, tecnologias e empresas controladas por capitais externos.
Nos últimos anos, muitas empresas de capital nacional, enfrentaram dificuldades, fecharam as portas, faliram ou mudaram as suas operações para outros países, em busca de melhores condições. Esse encerramento de empresas brasileiras, representa perda de empregos, perda de arrecadação, perda de conhecimento produtivo e enfraquecimento da economia interna.
Ao mesmo tempo, empresas estrangeiras como o Mercado Livre , de origem argentina, e a Amazon , de origem norte-americana, cresceram fortemente no mercado brasileiro. Elas oferecem facilidade, rapidez e comodidade ao consumidor. Porém, quando os lucros obtidos no Brasil, são direcionados para acionistas estrangeiros ou reinvestidos fora do país, parte da riqueza gerada pelo comprador brasileiro, deixa de fortalecer a economia nacional.
Isso não significa fechar as portas para o mundo, mas sim criar equilíbrio. O Brasil precisa receber investimentos estrangeiros, mas também precisa fortalecer suas próprias empresas, proteger sua capacidade produtiva, qualificar sua mão de obra e organizar melhor sua política econômica.
O verdadeiro desenvolvimento acontece, quando o trabalhador cresce, a empresa cresce, o país produz mais, o PIB aumenta e a riqueza circula dentro da própria sociedade. Sem isso, o país se torna dependente, frágil e vulnerável.
Portanto, o caminho da economia brasileira deve ser o caminho da produção, da educação, da valorização do trabalho, do incentivo ao empreendedor nacional, da responsabilidade política e da construção de uma nação que não apenas consome, mas também cria, fabrica, exporta, emprega e prospera.
Autor: Raimundo J. Lopes - Mentor do Método Reconexão Voluntária Com o Desejo.