Contexto Histórico da Dependência Emocional.

A necessidade da vida em bando (comunidade), ou seja, pertencer a um determinado grupo, ou classe de pessoas, era essencial na vida dos antigos seres humanos para a sua sobrevivência, por isso cada um precisava tanto da aprovação dos outros, em relação à sua forma de vida individual e comunitária.

Essa necessidade de ter a aprovação dos demais membros da tribo era necessária desde os primórdios. Os homens das cavernas viviam sempre em bando, pois os perigos eram constantes, pela falta de segurança na época. Eles eram obrigados a se defender dos perigos existentes em seus territórios, pois existiam vários predadores, tinham que caçar para se alimentar, até lutar por conquistas de territórios com outras tribos. Por essa questão de suprir as necessidades de sobrevivência e segurança, todos tinham uma tendência a se unirem aos mais inteligentes, destemidos, habilidosos e fortes. Pois assim essas necessidades acima seriam mais fáceis de serem supridas.
Isso fazia com que todos os seres quisessem se sentir aptos, e importantes para pertencerem àquela determinada tribo. Daí vem a necessidade de se sentirem merecedores de pertencerem ao grupo. Por esse motivo sempre vinham fazendo o que agradasse aos outros, independente de seus anseios e vontades, e essas questões perpetuam-se por várias gerações.

Com o passar do tempo e o fim da era dos primórdios os indivíduos se agruparam em famílias, onde sempre havia o provedor e os demais membros, onde cada um tinha suas tarefas bem definidas. Em suma como ocorre até a atualidade.

O que precisa ser revisto é, até quando um indivíduo depende ou mantém a dependência de outrem. Pois muitas vezes vemos pessoas que não tem nenhuma questão de dependência (seja: financeira, protecional ou o que quer que seja) daqueles que o rodeiam, e ainda assim, necessitam se sentirem úteis e aprovados por aquele grupo.

Esse fato acima é que desenvolve a dependência emocional. Pois mesmo que não haja nenhuma necessidade de cuidados, manutenção ou seja lá em que sentido for. Esse indivíduo fica preso aos interesses do outro, ainda que isso vá contra as seus anseios e suas vontades. Vemos muitas situações em que o provedor fica refém dos provisionados. Seja por que ele busca amor, afeto, respeito ou convivência. E aí está o princípio da dependência emocional, pois não existe uma dependência real, e sim uma dependência relacional, onde os sentimentos, e a carência falam mais alto do que as necessidades reais.

O ser se torna refém daquilo que está contido em seus pensamentos, e não da realidade que engloba os verdadeiros fatos. Com isso ele permite-se prejudicar-se em detrimento ao seu desejo de aceitação e pertencimento ao grupo, pelo simples fato de querer agradar aos outros do grupo, e não ao seu desejo intrínseco.

Ainda que um certo indivíduo ou grupo de pessoas não ofereçam nenhuma forma de melhoria, de crescimento ou de vantagem a este ser que envolto em dependência emocional. Ele se sente na obrigação de agradá-los, não exercendo assim a sua independência e o direito de ter uma vida da maneira que ele sempre quis. Agindo de forma a sempre pensar mais na vontade e no interesse do outro que em si mesmo e seus desejos.

A convivência em bando ainda se faz necessária, pois o ser humano tem uma tendência natural de viver em comunidade, e além do mais os seres de pouca idade, necessitam de provedores e tutores, para que venham mais tarde se tornarem senhores de si. Porém o que tem que ser deixado bem claro, e revisto sempre, é que essa convivência deve estabelecer sempre vínculos fortes porém com alinhamentos e limites bem definidos e claros, onde cada ser mesmo vivendo em grupo, é um ser independente por si, e essa independência precisar ser vista como uma situação natural e clara na vida de cada um dos seres. Cada um tem o direito de escolher o que quer, e o que irá fazer de sua vida. Sendo também o responsável pelas consequências dos seus atos.

Quando um indivíduo consegue estabelecer um relacionamento com vínculos fortes e limites bem claros e definidos, ambos tendem a ter mais liberdade para viver suas vidas da maneira que desejam, e pretendem. Esses laços tendem a se fortalecerem, pois a liberdade que cada um tem de viver como bem entende, tende a trazer benefícios pelo desenvolvimento de visões diferentes. Onde cada um respeita e aceita as particularidades, os pensamentos e ações do outro.

Raimundo J. Lopes – Mentor do Método Reconexão Voluntária Com o Desejo.