Quando a Vida Responde aos Nossos Pedidos.
Há momentos em que pedimos tanto por uma mudança que, quando ela finalmente aparece, não conseguimos reconhecê-la. Pedimos uma nova chance, uma porta aberta, uma vida diferente, mais dinheiro, mais saúde, mais tranquilidade, um novo caminho. Pedimos, esperamos e, muitas vezes, imaginamos exatamente como a resposta deveria chegar.
O problema é que a vida nem sempre responde da maneira que imaginamos.
Às vezes, aquilo que chamamos de milagre, chega disfarçado de trabalho. A mudança que pedimos, pode aparecer como um convite inesperado, uma proposta que nos tira da zona de conforto, uma mudança de endereço, uma pessoa que cruza o nosso caminho, ou até mesmo uma situação que, inicialmente, parece apenas um desafio.
E é justamente aí que precisamos estar atentos.
Talvez uma das grandes dificuldades da vida, seja aprender a reconhecer uma oportunidade, quando ela não vem, com a aparência que esperávamos. Porque nem tudo que chega até nós, vem embrulhado em papel bonito. Algumas oportunidades chegam acompanhadas de medo, responsabilidade, esforço, e até de uma certa insegurança.
Por isso, estar atento às oportunidades, não significa apenas esperar que alguma coisa aconteça. Significa aprender a perceber, interpretar e participar daquilo que acontece.
1. Quando as oportunidades chegam.
Existem oportunidades que chegam literalmente à nossa porta.
Uma conversa, um convite, uma proposta de trabalho, uma mudança de cidade, uma nova amizade, um curso, uma ideia, uma possibilidade que surge quase por acaso. A oportunidade aparece, mas nós podemos estar tão presos aos nossos medos, hábitos e certezas, que simplesmente deixamos que ela passe.
Depois, quando olhamos para trás, pensamos: “E se eu tivesse aceitado?”
Quantas vezes uma boa oportunidade esteve diante de nós, e não a percebemos? Quantas vezes confundimos oportunidade com problema, simplesmente porque ela exigia de nós alguma mudança?
Nem sempre a oportunidade chega, no momento em que estamos preparados. Muitas vezes, ela chega justamente para nos preparar.
É importante compreender que esperar uma oportunidade, é diferente de estar preparado para reconhecê-la. Quem está atento, observa os sinais, escuta as conversas, percebe as possibilidades, e não descarta imediatamente aquilo que parece diferente.
Talvez aquela porta que se abriu, não seja exatamente a porta que você imaginou. Mas pode ser a porta que você precisava.
2. Meu esforço e minha colaboração são necessários no projeto.
Existe uma parte do milagre que depende de nós.
Podemos pedir uma vida melhor, mas precisamos participar da construção dessa vida. Podemos desejar prosperidade, mas precisamos trabalhar, aprender, mudar comportamentos, e aproveitar as oportunidades que aparecem.
Não adianta pedir uma pescaria abundante e, quando o peixe aparece, esperar que alguém prepare o prato para nós.
Talvez a vida nos dê o rio, o barco, a vara, a isca e até um dia bonito para pescar. Mas ainda precisamos colocar a isca no anzol, lançar a linha, esperar, insistir e, quando o peixe vier, fazer a nossa parte.
E talvez seja exatamente isso que torna a conquista tão especial.
Há um sabor diferente, quando sabemos que participamos daquilo que conquistamos. O prazer de preparar o próprio peixe, depois de uma boa pescaria, é diferente de simplesmente receber um convite para comer peixe na casa de alguém.
Não porque receber um convite seja ruim, mas porque existe algo profundamente transformador em perceber: “Eu fiz a minha parte.”
O milagre pode abrir a porta, mas somos nós que precisamos atravessá-la.
3. Estar atento às situações e aos convites.
Às vezes, uma oportunidade não chega com o nome de oportunidade. Ela chega como um convite. “Você já pensou em fazer isso?” “Por que você não tenta?” “Conheço alguém que está procurando uma pessoa para essa função.” “Você não gostaria de conhecer esse lugar?” “Por que não começa?” São frases simples, mas que podem carregar possibilidades enormes.
Precisamos desenvolver a capacidade de ouvir sem rejeitar imediatamente, aquilo que é novo. Isso não significa aceitar tudo de maneira ingênua. Estar atento não é abandonar o discernimento. É observar antes de decidir.
Talvez aquele convite seja exatamente, o movimento que faltava para alguma coisa começar.
A vida está constantemente colocando situações diante de nós. Algumas serão realmente oportunidades. Outras serão apenas experiências, aprendizados, ou caminhos que nos mostrarão, aquilo que não queremos.
Mas, se estivermos sempre fechados, desconfiados ou acomodados, podemos não perceber nenhuma delas.
É preciso olhar para a vida com um pouco mais de curiosidade.
Às vezes, uma simples conversa pode carregar uma resposta, que estávamos esperando há muito tempo.
4. Quando eu não sei bem o que quero.
Há também aqueles momentos em que pedimos alguma coisa, mas nem nós mesmos sabemos exatamente, o que estamos pedindo.
Queremos “uma vida melhor”, mas o que significa uma vida melhor? Queremos “mais dinheiro”, mas para quê? Queremos “mais saúde”, mas estamos dispostos a mudar nossos hábitos? Queremos “um novo caminho”, mas temos coragem de sair do caminho antigo?
Essa é uma questão importante, porque muitas vezes desejamos o resultado, sem desejar o processo necessário para alcançá-lo.
Podemos pedir dinheiro, e a resposta aparecer, como uma oportunidade de mudar de emprego. Podemos pedir saúde, e surgir uma academia de baixo custo, perto de nossa casa. Podemos pedir melhores condições de vida, e aparecer uma oportunidade de mudar de casa, ou até de cidade. Podemos pedir paz, e descobrir que precisamos primeiro, nos afastar de determinadas situações, ou pessoas. Podemos pedir crescimento, e receber responsabilidades maiores.
O problema é que esperamos que a resposta, venha exatamente com a aparência do nosso pedido. Talvez seja necessário, aprender a reconhecer a essência da resposta, e não apenas a sua aparência. Quando não sabemos exatamente o que queremos, talvez o mais importante seja pedir clareza, permanecer atento, e estar disposto a reconhecer as possibilidades que surgirem.
5. Estar sempre na busca do melhor.
Estar atento às oportunidades, também significa não se acomodar completamente. Não se trata de viver insatisfeito com tudo o que temos. Pelo contrário. Podemos agradecer pelo presente e, ao mesmo tempo, continuar buscando crescimento. Existe uma diferença entre gratidão e acomodação. A gratidão diz: “Sou grato pelo que tenho.” A acomodação diz: “Não preciso mais tentar.”
Podemos agradecer pela casa onde moramos, e ainda assim, procurar uma condição melhor para nossa família. Podemos valorizar o trabalho atual, e continuar estudando, para conquistar novas possibilidades. Podemos reconhecer o caminho percorrido, e ainda desejar conhecer novos caminhos.
Buscar o melhor não significa acreditar que, nunca temos o suficiente. significa compreender que a vida é movimento. E, para acompanhar esse movimento, precisamos estar dispostos a esforçar, aprender, experimentar, mudar e recomeçar. Às vezes, o melhor que buscamos, está escondido atrás, de uma mudança que inicialmente, parece desconfortável.
6. O milagre escondido no trabalho.
Talvez essa seja uma das coisas que mais precisamos compreender: alguns milagres chegam vestidos de trabalho. Queremos prosperidade, mas talvez o milagre, seja uma nova oportunidade profissional. Queremos saúde, mas talvez o milagre, seja a disciplina de cuidar do corpo. Queremos conhecimento, mas talvez o milagre, seja encontrar um professor, um livro ou uma oportunidade de estudo. Queremos uma vida diferente, mas talvez o milagre, seja a coragem necessária, para abandonar determinados hábitos.
O trabalho pode ser a ponte entre aquilo que desejamos, e aquilo que conseguimos alcançar. É muito fácil desejar o resultado. Difícil é aceitar o processo. Queremos a casa, mas não queremos a mudança. Queremos o corpo saudável, mas não queremos a disciplina e o cuidado. Queremos dinheiro, mas não queremos aprender, ou trabalhar em algo novo. Queremos uma nova vida, mas não queremos abandonar os hábitos da antiga. Queremos o peixe, mas não queremos pescar.
E talvez seja justamente aí, que a vida nos ensine uma das suas maiores lições: não basta pedir. É necessário participar.
7 - O retorno das nossas ações.
Praticamente tudo aquilo que fazemos, produz algum tipo de retorno. Nossas escolhas trazem consequências. Nossos hábitos criam resultados. Nossas atitudes influenciam os caminhos que tomamos. É a velha ideia de ação e reação, não necessariamente como uma fórmula imediata, em que tudo acontece exatamente como esperamos, mas como uma percepção de que, nossas ações participam da construção da nossa realidade. Por isso, não podemos esperar que tudo aconteça sem a nossa colaboração.
É preciso plantar para colher.
É preciso aprender para crescer.
É preciso tentar para descobrir.
É preciso trabalhar para construir.
É preciso agir para transformar.
Talvez a vida não esteja negando aquilo que pedimos. Talvez esteja apresentando, a oportunidade de construirmos aquilo que pedimos. E essa diferença muda tudo.
8 - Quando o milagre, não parece um milagre.
Existe algo curioso nos milagres: muitas vezes, só percebemos que foram milagres, depois que tudo aconteceu. No momento em que a oportunidade aparece, ela pode parecer apenas uma dificuldade. Uma mudança de emprego pode parecer assustadora. Uma mudança de cidade pode parecer cansativa. Uma nova responsabilidade pode parecer pesada. Uma nova rotina pode parecer inconveniente. Um convite pode parecer estranho. Um recomeço pode parecer impossível.
Mas, depois de algum tempo, podemos olhar para trás e perceber que, aquela situação foi exatamente o ponto de partida, de uma transformação.
Talvez o milagre não esteja escondido, porque a vida queira dificultar nossa compreensão. Talvez ele esteja escondido, porque precisamos crescer o suficiente para reconhecê-lo. Nem tudo que é bom chega pronto. Algumas coisas precisam ser construídas.
9 - A coragem de fazer a nossa parte
Existe um momento em que precisamos parar de esperar, que a vida faça tudo por nós. Não porque os sonhos sejam impossíveis, mas porque sonhos, precisam de participação. A oportunidade pode aparecer, mas precisamos aceitar. A porta pode abrir, mas precisamos entrar. O caminho pode surgir, mas precisamos caminhar. A semente pode ser entregue, mas precisamos plantá-la. A chuva pode cair, mas precisamos cuidar da terra. O peixe pode aparecer no rio, mas precisamos pescar.
Talvez esse seja o verdadeiro sentido, de estar atento às oportunidades: perceber quando a vida está nos oferecendo uma possibilidade, e ter disposição para colaborar com ela.
Não precisamos controlar tudo. Não precisamos saber exatamente como tudo vai acontecer. Mas precisamos estar disponíveis para fazer a nossa parte.
Conclusão — O milagre também precisa de nós.
No fim das contas, de nada adianta pedir milagres se, quando eles chegam, não estamos dispostos a participar deles. Podemos pedir novas chances, novos caminhos, novas oportunidades e uma vida diferente. Mas, quando a oportunidade aparecer, precisaremos deixar de lado alguns medos, algumas desconfianças, a preguiça, a acomodação e aquela falta de vontade, que tantas vezes nos impede de começar.
A vida pode oferecer o caminho, mas não pode caminhar por nós.
Pode colocar uma oportunidade diante dos nossos olhos, mas não pode tomar a decisão em nosso lugar.
Pode apresentar uma resposta, mas precisamos reconhecê-la.
Acredito que a vida seja muito mais sábia do que imaginamos. Ela sabe que aquilo que buscamos, nem sempre corresponde exatamente, ao que pronunciamos. Às vezes dizemos que queremos dinheiro, quando na verdade precisamos de liberdade. Dizemos que queremos uma casa maior, quando precisamos de tranquilidade. Dizemos que queremos um emprego melhor, quando precisamos recuperar nossa motivação. Dizemos que queremos uma vida diferente, quando precisamos primeiro mudar a nós mesmos.
Por isso, talvez seja importante pedir menos, que a vida faça tudo por nós, e começar a perguntar: “O que eu posso fazer com aquilo, que a vida está colocando diante de mim?”. Porque o milagre pode até chegar. A oportunidade pode bater à porta. O caminho pode aparecer. Mas existe uma parte que sempre será nossa. É preciso abrir a porta. É preciso caminhar. É preciso trabalhar. É preciso tentar. É preciso participar.
Afinal, de nada adianta pedir que o peixe venha, se não estamos dispostos a pescar. E, talvez, depois de uma boa pescaria, quando estivermos preparando aquele peixe em casa, com a cozinha bagunçada, o cansaço no corpo e a família reunida à mesa, possamos finalmente compreender que, o verdadeiro milagre, não foi apenas o peixe ter aparecido. O verdadeiro milagre, foi termos tido coragem de fazer a nossa parte, para que ele chegasse até nós.
Autor: Raimundo J. Lopes - Mentor do Método Reconexão Voluntária Com o Desejo.