A arte de Se Sentir Importante

Caro leitor me perdoe mas hoje resolvi rasgar o verbo, e trazer um tema que pode causar polêmicas e entendimentos contrários. Enfim leia e tire as suas conclusões. Boa leitura.

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Raimundo J. Lopes - Mentor do Método Reconexão Voluntária Com o Desejo

5/22/20269 min read

A arte de Se Sentir Importante

Voltando às épocas antigas na origem dos seres humanos, era comum e necessário viver em tribos. A sobrevivência necessitava de vários fatores como: “A questão da segurança” – Pois os seres eram bastante vulneráveis em relação aos outros seres vivos existentes na natureza, e também das lutas de tribos entre si, assim os melhores guerreiros se destacavam na segurança e manutenção de sua tribo. “A questão do alimento” – naquela época a alimentação geralmente era produto da caça, e de frutos e raízes que se encontrava pela região, assim os melhores caçadores se sobressaiam e proporcionavam uma alimentação mais adequada e constante para o seu grupo. “A questão da Idade” – os novos membros como também os idosos eram totalmente dependentes dos outros membros, para a sobrevivência em sí, devido às suas vulnerabilidades. Sendo estes entre outros fatores, os mais comuns inerente as necessidades daquela época.

Devido a esses fatores narrados acima como outros que talvez não tenhamos pleno conhecimento atualmente, era primordial que os indivíduos pertencessem a um grupo (tribo), e para pertencer àquele grupo todos “deviam” e “queriam” se sentir importantes, pois se ocorresse o fato de ser deserdado (expulso) daquele grupo (tribo), as suas chances de sobrevivência seriam reduzidas drasticamente.


Essa necessidade de convivência em grupos (tribos) veio seguindo, até os dias atuais apesar de as condições de vida dos seres, virem melhorando consideravelmente. Com o passar do tempo ao invés de realizar os processos de migração, mudar-se para outra região quando a caça e os alimentos daquela área anterior se tornassem escassas, os grupos foram desenvolvendo a habilidade do cultivo de alimentos vegetais, e a criação de pequenos rebanhos, com o objetivo de manter as condições alimentares supridas, sem a necessidade de migrar-se. Deste evento para cá os grupos conseguiam viver em grupos menores, e esses grupos menores formavam comunidades, a partir dessa redução de grupos, é de onde acredita-se que originou as famílias, originadas da individualidade do acasalamento de seres adultos (um homem e uma mulher) para assim através dos filhos obtidos nessa união, se formassem famílias independentes.


Até ai tudo bem uma estória bonita de superação de desafios, e bastante centrada no objetivo da perpetuação da espécie humana e dos grupos familiares. Com essa formação de famílias e com o aprendizado e aperfeiçoamento das técnicas de lavoura, cultura e criação de rebanhos, essas famílias de certa forma acumulavam certos valores financeiros. É como se passou a ser comum em épocas posteriores, devido as normas que foram ao longo dos tempos impostas, essas riquezas deveriam permanecer nas mãos daqueles que se esforçaram para obtê-las, portanto os casamentos de filhas e filhos de pais de quantidade significativa de posses, eram realizados somente com filhos e filhas de outras famílias que também possuíssem essas condições, com o objetivo de unir riquezas e se tornarem mais influentes e poderosos.


Assim se formou as classe sociais que temos o prazer, ou o desprazer de ver até os dias de hoje. Só que as uniões não eram uma prática somente dos ricos e poderosos, os mais desprivilegiados e vulneráveis na questão financeira, também se união com o objetivo de formar famílias. O que não há nada de anormal, tirando-se essa não obtenção de posses.


Mas sim estou enchendo linguiça para chegar aonde quero. Essas necessidades e normas impostas na antiguidade se proliferam até hoje, onde os seres humanos querem se sentir importantes, e muitas vezes se mostrarem bem estabilizados financeiramente, isso com o objetivo de impressionar os outros membros do grupo. Que agora deixou de ser pequenas tribos e passou a ser grandes cidades e centros urbanos. Assim é comum encontrar pessoas que fazem o possível e o impossível, para se sentirem importantes, em sua convivência com os outros seres que fazem parte do seu grupo, o que até então parece não ter nada demais.

O grande problema em questão vivido na atualidade é: Essa necessidade de ser importante, de viver em grupo e de manter determinadas posses financeiras, ou demonstração irreal destas, tem sido uma faca de dois gumes, podendo assim tanto ajudar como prejudicar a vida do ser em particular.


Aquela importância de conviver em grupo devido a uma questão de sobrevivência, ser importante era uma condição nativa para pertencer àquele grupo, hoje virou uma espécie de muleta invisível, quantos seres não evoluem por si só, devido ao fato de acreditarem que, é uma condição extrema de vida estar amparados eternamente por outros, ou amparar eternamente outros, e essas condições impendem que ele evolua por si mesmo. Se voltarmos na antiguidade veremos que os mais influentes daqueles grupos e tribos, forçavam os iniciantes de carreira a se estabelecerem como fortes e ágeis, para que no futuro pudessem ser caçadores e lutadores sendo guardiões daquela tribo ou aldeia, assim eles eram obrigados a aprender portanto, boas técnicas de caça e de combate, e nos casos das mulheres a aprenderem técnicas de cultivo.


No caso de querer ser um membro influente de seu grupo pelas suas posses, hoje vemos muitos seres se endividando, arruinando suas vidas e daqueles que dependem financeiramente dele, isso com o objetivo de mostrar-se o que não é. Lembremos-nos de que essa questão veio de eras antigas, e aqueles que possuem grandes posses natas, geralmente vieram de seus antepassados, não desmerecendo é claro, a condição de muitos que mesmo no passado, quanto na atualidade conseguiram se destacar visivelmente em termos de acúmulo de posses e riquesas, porém reais.

Enfim queremos falar sobre a existência de um mal que assola a humanidade, não sendo poucos o número de pessoas que vivem desta forma. Vamos chamar de dependência emocional essa necessidade de ser importante na vida do outro, e o outro em nossa vida. Refiro-me àquelas pessoas que acreditam que a vida deve permanecer sempre como era. Filhos que se desenvolveram fisicamente, mas que financeiramente ainda ficam dependentes de pais, em muitos casos até já desenvolveram famílias, mas acreditam que os pais ainda são responsáveis pelas suas dificuldades. O mesmo não deixa de ser conflitante com pais que apesar de terem seus filhos crescidos e independentes, ainda acreditam que precisam fazer de tudo para que ele não sofra as dificuldades que são inerentes à vida, a famosa frase “Não quero que meu filho passe pelo que eu passei” esquecendo-se de que esse foi o fator importante que te fez crescer, e que por consequência será também um fator decisivo na vida daquela pessoa.


Assim vemos hoje uma população doente, sim, pode parecer duro mas é a palavra que mais explicita essa questão. As pessoas vieram a esse mundo com um único objetivo “evoluir-se”, nascemos sem andar e aprendemos, nascemos sem falar e aprendemos, aprendemos técnicas e formas de execuções de diversas tarefas em nossa vida. E o que mais vemos na atualidade são pessoas castradas dessa possibilidade de evolução, seja por acreditar que o outro é responsável por sua vida, como quando nós não permitimos por vários motivos que o outro não passe por situações e problemas, ou que esteja de alguma forma apegado sempre à nossa presença. Sendo que essas dificuldades e problemas que o outro precisa enfrentar, é que com certeza apareceram na sua vida, veem com o objetivo único de evolução deste.


Assim vivemos um tempo em que todo mundo quer ser importante para todo mundo, o que não tem lógica, pois cada um tem o seu tempo, a sua condição e a sua natureza, alguns vão crescer em todos os sentidos com uma clareza simples, enquanto outros vão sempre estar amarrados a questões burocráticas da existência. O que cabe a cada um de nós? _ Deixar que a vida siga seu curso natural… Ninguém deveria se ver na obrigação de suportar as penas e o peso da cruz do outro. Não que devemos deixar o outro a deriva, e se virar sozinho, não é isso que eu venho dizer. Porém que nos sejamos um ponto de apoio para ele, e não a solução plena, pois “só o dono da dor sabe o quanto doi”, e todas as vezes que somos essa solução das questões na vida do outro, estamos dizendo para ele nada mais do que… “Você não é capaz, então deixa que eu faço para você”, enquanto seria melhor dizer “Estou do seu lado, vamos seguir, vamos continuar, eu sei que você é capaz e vai resolver isso”. Desta forma não estamos dando ao outro a chance de se melhorar, de aprender e de se fortalecer, para quando precisar novamente, e talvez nessa nova necessidade, não estejamos mais aqui, ou não tenhamos mais condições de fazer o mesmo por ele. Esse é o crescimento de que falo. Toda vez que não permitimos que o outro faça o que ele deveria fazer, estamos na realidade mostrando a ele, o quanto queremos ser importante em sua vida. Pai tem que ser pai, mãe tem que ser mãe, amigo tem que ser amigo, e todos trabalharem com um só objetivo, a evolução daquele que de alguma forma nos procura ou precisa de nós.


Por outro lado temos também uma questão que acontece com mais frequência do que imaginamos. É bastante comum encontrarmos pessoas que não evoluem, devido ao fato de entregar a sua vida em favor do conforto do outro. Exemplo: um filho ou filha que deixa de exercer uma determinada carreira, ou cargo que seria melhor, e de seu interesse, por causa de seus pais preferirem que ele siga uma carreira pre-determinada por estes. Um filho ou uma filha que deixa de lado uma grande oportunidade de emprego, ou de carreira porque prefere ficar ao lado de sua mãe ou pai que pode estar passando por alguma condição e necessidade. Não que o vínculo familiar não deva existir, não é sobre isso de que trata este texto. Mas sim de que relacionamentos exigem vínculos fortes, mas com limites bem definidos. Devemos entender que cada ser está vivendo o seu momento, o mais idoso vive hoje colhendo o que ele plantou no passado, e é importante lembrar que o mais novo está plantando para colher no futuro. Assim um pai ou uma mãe querer podar o crescimento do(a) filho(a) não passa de um comportamento egoísta, assim como um(a) filho(a) cobrar de seus pais eternamente uma condição favorável para viver eternamente, também o é.


Finalizando o que estamos propondo neste texto é que cada um tome conta dos seus “B.Os”, se todos assumirem sua parcela de culpa nos acontecimentos, possivelmente esses serão resolvidos com mais presteza e responsabilidade, cada um é responsável por sua colheita, é para colher bem, deve se plantar e cultivar adequadamente. Não justifica culpar o outro por suas frustrações, não justifica culpar o outro por seus dissabores. Cada ser deve ter consigo a consciência de suas imperfeições, e que o estilo de vida que o outro trabalhou para possuir, pode não ser o que você contemplou em sua existência.


Tem uma frase muito forte que diz: “Tempos difíceis criam pessoas fortes, pessoas fortes criam tempos fáceis, tempos fáceis criam pessoas fracas e pessoas fracas criam tempos difíceis”. Essa frase a meu ver é um retrato perfeito da vivência do ser humano. Um circulo na nossa vida! Essa dependência emocional de se sentir importante deve se transformar em um estado natural, e não forjado. Uma mãe ou um pai serão sempre importantes para os filhos, como os filhos sempre serão importantes para os pais, como os cônjuges sempre serão importantes um para o outro, assim como os amigos serão sempre um importantes para os outros. O que deve ser importante é essa existência em si, e não os atos e as ações que um faz para o outro, seja com qual objetivo for. Quando o ato ou a ação de um, interfere diretamente na forma como o outro vive, ou acredita, fazendo com que ele por este motivo, deixe de acreditar em si, e passe a acreditar na versão do outro, isso representa uma dependência emocional fortíssima e deve ser tratado, o quanto antes. O ideal e que cada um viva a sua vida, os seus sonhos, as suas incertezas, dificuldades e problemas. Lembre-se devemos ser somente aquele que caminha ao lado daquele que está aprendendo a andar, e não aquele que o carrega seja para onde for.


Meu objetivo nesse texto, é induzir o leitor a ser coerente com seus pensamentos e com suas ações, fazer pelo o outro aquilo que ele e quem tem que fazer, pode não ser a melhor escolha. Assim como cobrar do outro a fazer aquilo que nós e que temos que fazer seria uma injustiça. Gostaria que você refletisse sobre sua vida, sobre a sua existência e sobre os seus atos, e se respondesse nesse momento. Quem sou eu na fila dessa vida.

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